Dieffenbachia maculata - Comigo-ninguém-pode

Dieffenbachia maculata Compacta
Diefenbachia maculata "Compacta"
As plantas do género Dieffenbachia, não são a melhor escolha para quem tem animais de estimação ou crianças pequenas. Pese embora os efeitos da toxicidade destas plantas sejam muitas vezes exagerados, convém ainda assim não arriscar. Se não for esse o seu caso, então vale a pena adquirir uma destas belas plantas de interior, as quais são bastante resistentes, com folhagem atrativa e relativamente fáceis de cuidar.

Nas folhas e caules das diefenbáquias existem cristais de oxalato de cálcio, em forma de agulha, denominados ráfides. As ráfides são armazenadas em células especializadas ou idioblastos. A presença das ráfides, no entanto, não explica a toxicidade total das diefenbáquias, a qual se pensa estar igualmente relacionada com a presença de outras substâncias, como por exemplo, as proteases

Ráfides - Plantas de interior
Ráfides (ampliadas 600x)
Mastigar uma folha da comigo-ninguém-pode não é uma boa ideia, uma vez que os idioblastos injetam de imediato as ráfides na pele delicada da boca, lábios e língua, provocando dor e sensação de queimadura. Podem se seguir outros sintomas, como por exemplo inchaço ligeiro da língua e garganta, e também salivação excessiva. Foram reportados alguns casos mais severos de inchaço da língua e garganta, com consequente disfagia e dificuldades respiratórias, mas essas situações são muito raras, conforme pode comprovar neste artigo da Emedicine.

Normalmente, a sensação de dor e queimadura na boca e língua, é suficiente para impedir os animais e crianças de efetivamente ingerirem partes da planta, mas quando isso acontece, alguns dos sintomas expectáveis serão náuseas, vómitos, diarreia, ou mesmo queimaduras no trato gastro-intestinal, devido ao efeito corrosivo da seiva destas plantas.

O nome inglês da Dieffenbachia maculata ou Dieffenbachia seguine var. seguine, é dumbcane, e por isso a comigo-ninguém-pode também é por vezes chamada (principalmente em Portugal) de cana-muda ou cana-dos-mudos. O nome deriva da intensa rouquidão ou afonia que afeta as suas vítimas, às vezes por vários dias, e que são consequência dos vários sintomas que já atrás descrevi. O passado histórico da comigo-ninguém-pode também não é, infelizmente, muito recomendável... Existe uma quantidade apreciável de fontes na Internet, que referem a sua utilização como instrumento de tortura dos escravos, nomeadamente nas Índias Ocidentais

Mercado Indias Ocidentais - Plantas de Interior
Mercado nas Índias Ocidentais, com escravos Africanos - Quadro de Agostino Brunias (c.1780)
O contato da seiva da Dieffenbachia seguine var. seguine com os olhos, pode causar vermelhidão, dor ocular, inchaço das pálpebras e danos na córnea. Ao manusear esta planta, também é aconselhável o uso de luvas, pois foram relatados vários casos de dermatite, devido ao contato da pele com as suas folhas ou seiva. Os efeitos variam muito de pessoa para pessoa, uma vez que eu próprio já manuseei vezes sem conta folhas de Diefenbachia, sem luvas, e não notei qualquer efeito assinalável.

Não encontrei nenhum artigo ou notícia que desse nota de uma situação fatal com pessoas, quer adultos, quer crianças, mas existem alguns relatos de animais de estimação que não sobreviveram após terem ingerido várias folhas de diefenbáquia ou mastigado o caule destas plantas.

Feito o aviso, deixem-me dizer que a minha experiência com as comigo-ninguém-pode (agora já sabemos o motivo do nome...), tem sido muito positiva. Os meus animais de estimação são aves, e todos os vasos que têm ou tiveram a espécie Dieffenbachia em minha casa, não estiveram nem nunca estarão em locais ao alcance de crianças pequenas. 

No meu próximo artigo irei falar um pouco sobre a taxonomia da Dieffenbachia maculata, a única espécie que agora possuo, e da qual existem imensas variedades. Para além disso, irei obviamente dedicar parte do artigo à forma mais correta de cuidar destas perigosas, mas ainda assim magníficas, plantas de interior.