Hatiora x graeseri ou cacto-da-páscoa (Pt) / cacto-da-primavera (Br)

Plantas de interior - Hatiora Gaertneri
Hatiora x graeseri
Quem leu o meu artigo Cactos epífitos ou cactos da floresta, penso que conseguirá com facilidade identificar as duas principais diferenças entre as plantas do género Hatiora e outros cactos da floresta, os quais são de uma maneira geral muito semelhantes. As principais diferenças das Hatiora são somente duas: a época de floração, que acontece na primavera, e a forma campanular das suas flores.

O meu artigo de hoje irá focar somente o género Hatiora, um pouco da sua história, taxonomia e também, como não poderia deixar de ser, algumas dicas sobre os cuidados a ter com estas magníficas plantas de interior.

A grande maioria dos cactos-da-páscoa (Pt) / cactos-da-primavera (Br) que podemos hoje em dia adquirir com facilidade, pertencem todos eles às mais de 100 variedades de Hatiora x graeseri existentes. 

As Hatiora x graeseri resultaram do cruzamento artificial da espécie original Hatiora gaertneri, de flores vermelhas, com uma espécie de flores cor-de-rosa, a Hatiora rosea. Ambas as espécies são endémicas da Mata Atlântica.

Plantas de interior - Hatiora gaertneri e rosea
À esquerda, Hatiora gaertneri, e à direita, Hatiora rosea
Esq. - Public Domain / Wikicommons - Dir. - © José María Escolana / CC BY-NC-SA 2.0
Os diversos cruzamentos entre as duas espécies produziram plantas que são muito semelhantes às suas progenitoras, no que diz respeito à forma das folhas/filocládios. No entanto, em relação às flores, foi possível obter uma gama de cores bastante diferente e variada.

Plantas de interior - Flor da Hatiora
Flor de tonalidade laranja, pertencente à minha Hatiora x graeseri
A história taxonómica das Hatiora é complexa, pelo que aprofundar demasiado a mesma, tornar-se-ia um pouco denso. Vou no entanto partilhar com vocês os nomes que as espécies progenitoras tinham aquando da sua descoberta, bem como o nome das publicações que as deram a conhecer ao mundo pela primeira vez.

A Hatiora gaertneri foi pela primeira vez mencionada na revista Gartenflora, de 1884, a qual podem consultar de forma gratuita aqui. O botânico alemão Eduard von Regel, classificou na altura a espécie como Epiphyllum russellianum var. gaertneri.

A Hatiora rosea apareceu pela primeira vez, em 1912, na revista Svensk Botanisk Tidskrift, que pode ser obtida gratuitamente aqui. O botânico Nils Gustaf von Lagerheim, classificou a espécie com o nome Rhipsalis rosea.

À esquerda, Hatiora gaertneri e à direita, Hatiora rosea, nas suas publicações originais
Fonte: Internet Archive
Existe um pormenor importante na forma de cuidar das Hatiora, o qual não se aplica à maioria das plantas de interior mencionadas no meu blog. Esse pormenor consiste no período de repouso obrigatório que deve ser dado às Hatiora, depois de terminado o período de floração. Por esse motivo, nos cuidados que irei mencionar abaixo, indicarei sempre que seja aplicável, qual a forma de tratar a sua planta, quer no seu período de crescimento 'normal', quer no período de repouso obrigatório.

Luz: As Hatiora x graeseri, tal como todos os seus parentes próximos, são plantas ideais para se colocar num local com luz média. Para aqueles que procuram plantas que gostam de sombra, poderá ser uma boa solução. Os cactos da floresta não gostam de receber sol direto, e pese embora possam ser colocados no exterior, durante o verão, devem sempre ser colocados num local com sombra.

Temperatura: As Hatiora x graeseri podem crescer continuamente durante todo o ano, uma vez que não necessitam de um período de repouso específico durante o inverno (embora beneficiem de um período de 3 a 4 semanas de repouso no fim da primavera, após a floração terminar). É claro que se as temperaturas forem muito baixas, o ritmo de crescimento abranda, mas nunca pára completamente. Poderá beneficiar a floração manter a planta nos meses de inverno a uma temperatura por volta dos 15°C, mas se não for possível, tal não impedirá que a planta possa ainda assim florir na primavera.

Rega: Na primavera e verão, a plantas devem ser bem regadas. As folhas ou filocládios terão tendência a amolecer e murchar se a rega for insuficiente. Cuidado para não encharcar o solo. Proporcione uma boa drenagem no vaso. Depois da floração, no final da primavera, as Hatiora deverão ter um período de repouso de três a quatro semanas, onde a rega deverá ser substancialmente reduzida, apenas a suficiente para que o solo não fique demasiado seco. No tempo mais frio, a rega também deverá ser reduzida em conformidade, mas conforme já expliquei, os cactos da floresta não interrompem o seu crescimento, pelo que é apenas uma questão de se ficar atento e adequar a rega ao crescimento visível da sua planta.

Propagação: É muito fácil propagar as Hatiora, ou qualquer outro cacto da floresta. Separe dois ou três segmentos/filocládios, e coloque o segmento inferior num pequeno vaso para enraizar. Demora um pouco, mas passadas algumas semanas, a planta irá crescer normalmente. Trate desde logo os segmentos que tirou para propagação, como se fossem uma planta adulta. Veja a foto abaixo, a qual mostra a propagação da minha Schlumbergera truncata (cacto-de-natal - Pt ou flor-de-maio - Br):

Plantas de interior - Propagação Schlumbergera
Propagação da Schlumbergera truncata
Solo e reenvasamento: As Hatiora são ideais para utilizar em cestos pendentes ou floreiras. Eu utilizo sempre floreiras de barro, para susterem o peso da planta, mas as floreiras não precisam ser muito altas, uma vez que as raízes dos cactos da floresta não são muito compridas. Deixe terminar o período de repouso após a floração, e depois troque a terra da sua planta, pois essa é a altura ideal. Utilize um solo que proporcione boa drenagem.

Adubação: No período de repouso após a floração, não adube. No resto do ano utilize um adubo líquido comum, em cada 2 ou 4 semanas, consoante o tempo esteja mais quente ou mais frio.