Ficus benjamina - Plantas de interior populares - Parte II

Plantas de interior - Árvore de F. benjamina
Um exemplar magnifíco de Ficus benjamina, com cerca de 30 metros de altura, nos Jardins Botânicos de Brisbane, na Austrália.
© Brisbane City Council / CC BY 2.0
Embora já exista um artigo no meu blogue sobre como cuidar da Ficus benjamina (veja aqui), sempre que releio o texto, o mesmo parece-me um pouco... incompleto.

Porquê? Principalmente porque nos artigos mais antigos do meu blogue, não tinha ainda o hábito que tenho atualmente, de escrever um pouco mais sobre a história da espécie, mencionando por exemplo, qual a primeira ilustração que se conhece da mesma, em que livro foi primeiramente mencionada, qual o botânico que a descobriu e outros pormenores que possam ser cientificamente ou culturalmente relevantes.

Pese embora eu saiba que muitos dos meus leitores procuram essencialmente informação prática sobre como cuidar das suas plantas de interior, peço-vos que tenham um pouco de paciência para aturar estes meus devaneios pseudo-botânicos e pseudo-detetivescos, os quais descobri que me dão grande prazer e que espero, sejam igualmente informativos e úteis para todos quantos me lêem. Para além disso, como se costuma dizer, o saber não ocupa lugar, certo?

Plantas de interior - Carl von Linné
Carl von Linné - Óleo sobre tela, de Alexander Roslin, 1775

Foi somente na obra magistral de Lineu, Species Plantarum, de 1753, que se passou a utilizar formalmente a nomenclatura binomial para identificar as espécies, tal como as conhecemos hoje em dia. Ou seja, cada espécie passou a ser referida através de dois nomes latinizados, sendo o primeiro o nome do género, seguido de um restritivo específico. Isto significa que em botânica, os primeiros nomes de plantas a serem considerados como publicados de forma válida, são os que constam no livro Species Plantarum.

Quando foi então que apareceu publicado pela primeira vez o nome científico Ficus benjamina? Embora não tenha sido no Species Plantarum, o autor foi o mesmo. Lineu utilizou o nome pela primeira vez na 12ª edição do seu livro Systema Naturae (pág. 681), o qual podem obter de forma gratuita aqui, no site da Biodiversity Heritage Library.

O lectótipo da Ficus benjamina (neste caso a primeira ilustração conhecida da espécie), aparece na publicação Hortus Malabaricus, de 1678-1703, da autoria do naturalista Hendrik van Rheede.

Primeira ilustração da Ficus benjamina, conforme aparece na pág. 45 de Hortus Malabaricus, com a designação "Itty-alu".
Ufff... Pronto, já está. Agora que já dei largas à minha vontade de escrever sobre a história taxionómica desta bela planta, posso desde já ir preparando o meu próximo artigo sobre... a Hatiora x graeseri!  Já ouviram falar? No Brasil, com certeza que sim, pois é uma planta nativa da mata atlântica, conhecida por cacto-da-primavera e que aqui por estas paragens chamamos de cacto-da-páscoa. Comprei três exemplares há pouco tempo, todos em plena floração, pelo que quero aproveitar para tirar umas belas fotos!