Plantas de interior místicas - Sansevieria trifasciata

Sansevieria trifasciata "Laurentii" em flor
Tenho desde muito jovem uma grande paixão por plantas de interior. Ainda me recordo com grande clareza, de trazer para minha casa algumas estacas, recolhidas na casa de familiares, e da sensação maravilhosa que sentia quando essas estacas desenvolviam raízes e se propagavam, dando origem a novas plantas. Havia algo de mágico, quase milagroso em todo esse processo.

Quando tinha mais ou menos 10 anos, deram-me uma única folha de Sansevieria trifasciata "Laurentii", sem raízes, a qual coloquei diretamente na terra, dentro de um pequeno vaso de plástico. Na altura não sabia ainda que as sanseviérias se propagavam daquela maneira, pelo que podem imaginar o meu espanto quando observei junto à base daquela folha enorme, o surgimento de uma pequenina folha.

Este episódio da minha infância, tornou-me desde então um grande admirador destas magníficas plantas. Infelizmente, sempre achei que as pessoas não davam a importância suficiente às sanseviérias, talvez por ser uma planta muito comum, que podemos encontrar em quase todo o lado, pelo menos aqui em Portugal e creio que no Brasil também.

São Jorge e o Dragão, de Gustave Moreau
Mas a Sanseviéria não tem nada de comum. Conhecida (principalmente no Brasil) como espada-de-são-jorge, esta espécie desempenha um papel muito importante em diversos rituais existentes nas religiões afro-brasileiras, como por exemplo o Candomblé ou a Umbanda.

Qual a origem do nome espada-de-são-jorge? A primeira razão óbvia, está relacionada com a forma das suas folhas, semelhantes a espadas. Mas existe ainda uma outra razão, relacionada com o sincretismo existente entre as religiões afro-brasileiras e o cristianismo. Para as religiões afro-brasileiras, a Sansevieria trisfasciata é conhecida por espada-de-ogum, possuindo o poder de afastar vibrações negativas e outras forças do mal.

Ogum é um orixá, uma divindade pertencente à mitologia iorubá, um guerreiro destemido, deus dos ferreiros, que ensinou aos homens como forjar o ferro e o aço. A Sansevieria trifasciata, representa a sua espada mágica. A sua lança é representada por outra espécie, a Sansevieria cylindrica, da qual falarei aqui muito em breve no meu blogue. No Brasil, o santo católico São Jorge está associado a Ogum, pelo que a espada-de-ogum passou também a ser conhecida por espada-de-são-jorge.

Sansevieria hyacinthoides (L.) Druce - c. 1700 por Jan Moninckx
O género Sansevieria foi batizado em 1794 pelo pai da botânica sul-africana, Carl Peter Thunberg, como homenagem a Raimondo di Sangro, príncipe da cidade italiana de San Severo. A ilustração acima, da autoria do famoso Jan Moninckx, data de cerca de 1700, e é das mais antigas imagens do género Sansevieria que se conhece. A primeira utilização do nome científico atual, Sansevieria trifasciata, ocorreu somente em 1903 no livro Bengal Plants, de David Prain.

Rega: A única forma de matar a sua espada-de-são-jorge, será provavelmente se lhe der demasiada água ou então se não a regar durante uns meses... Para uma sanseviéria bem cuidada, nunca deixe o solo encharcado e deixe o mesmo secar um pouco entre regas. No inverno, será suficiente regar uma vez por mês.

Luz: A lingua-de-sogra (este é um nome menos simpático...), adapta-se bem a qualquer ambiente, mesmo com pouca luz, mas se estiver num local demasiado escuro, o seu crescimento torna-se lento e as folhas não se desenvolvem corretamente. Como quase todas as plantas de interior, a sanseviéria prefere um local com muita luz e sem sol direto, mas é possível habituar a sua sanseviéria a aguentar algumas horas de sol. No entanto, se a planta estiver junto de uma janela que receba luz do sol forte durante várias horas, as folhas terão tendência a apresentar uma cor mais amarelada.

Temperatura: Adapta-se bem à gama de temperaturas existente nas nossas casas.

Adubação: Use um adubo líquido fraco, mensalmente, no período de crescimento da planta, normalmente da primavera ao outono.

Solo e reenvasamento: A sanseviéria prefere ficar sossegada no seu vaso durante o máximo de tempo possível. Use um solo normal (comercial), e coloque argila expandida no fundo do vaso. Se puder troque a terra somente de dois em dois anos. Quando trocar a planta de vaso, aproveite para dividir a planta e propagar.

Propagação: Vejam os meus dois artigos dedicados a este tema: Plantas de interior felizes - Mudando as novas Sanseviérias e Plantas bebés : Ainda as sanseviérias...

Poda: Não é necessária. Tente não partir a extremidade superior das folhas, pois isso impede o seu crescimento. Corte as folhas mais velhas rente ao solo e utilize-as para reproduzir a planta.

A sanseviéria é uma das 10 plantas mais eficazes na limpeza do ar, e também uma das plantas de interior que elegi como sendo uma das 10 plantas de interior mais fáceis de cuidar.