Asparagus setaceus - Plantas de interior enganadoras

Plantas de interior - Asparagus setaceus
Asparagus setaceus
Parece que é... mas não é. O Asparagus setaceus (espargo-feto em Portugal ou aspargo-samambaia no Brasil), é uma planta de interior, que se fosse gente, teria com certeza muito sucesso numa carreira política. Ela engana muito bem, e é normalmente considerada um feto ou samambaia devido ao aspecto das suas "folhas". Até nisso esta planta engana, pois na realidade não tem folhas mas sim pequenos ramos de 0,5 cm, muito finos, que se designam por filocládios. São estes raminhos que assumem as funções fotossintéticas, proporcionando energia à planta.

O Asparagus setaceus é uma planta originária da África do Sul, muito resistente, que cresce em terrenos muito difíceis e rochosos. Os seus caules principais têm espinhos afiados que servem para dissuadir os animais de se aproximarem. Ao fim de um certo tempo de crescimento, o Asparagus setaceus comporta-se como uma trepadeira. Aliás, a lâmpada fluorescente que podem ver na foto inicial esteve em tempos completamente rodeada pelos caules espinhosos, mas no verão passado decidi podar radicalmente a planta para que a mesma ficasse mais vigorosa e um pouco mais densa. O aspargo-samambaia, em muitos locais do globo, é considerado uma espécie invasora, pois sufoca a vegetação nativa, eliminando-a, e impedindo a regeneração natural de outras espécies.

Plantas de interior - Asparagus setaceus
Pormenor dos filocládios do Asparagus setaceus

Rega: Embora estas plantas de interior resistam muito bem a períodos de seca prolongada, convém que as mesmas sejam regadas com generosidade durante o seu período de crescimento (sem encharcar o solo!), desde a primavera até ao outono. Quando o tempo está quente, normalmente nunco deixo o solo secar completamente entre regas e prefiro mantê-lo sempre um pouco (h)úmido. No inverno basta regar uma vez por semana.

Luz: Tal como a grande maioria das plantas de interior, o Asparagus setaceus prefere luz forte, mas sem sol direto. Uma boa hipótese será ter a sua planta junto de uma janela que receba algumas horas de sol, mas filtrada através de uma cortina. Se o Asparagus setaceus receber demasiado sol, as "folhas" ficarão amarelas, o que também pode acontecer se for colocada num local demasiado escuro. Esta planta dá-se muito bem com luz artificial.

Temperatura: É praticamente uma questão irrelevante quando a planta é cultivada em interior.

Adubação: É difícil adubar demasiado esta planta, pois é uma "comilona" voraz. Eu costumo usar um pouco de adubo líquido, duas a três vezes por mês, durante o período de crescimento.

Solo e reenvasamento: Qualquer solo comercial de boa qualidade será o suficiente para manter o espargo-de-folha-miúda feliz. Mais uma vez não se esqueça de colocar uma boa quantidade de argila expandida ou cacos de barro no fundo do vaso. Troque a terra todas as primaveras e tente sempre manter o topo do solo um pouco abaixo do limite do vaso, pois as raízes desta planta têm tendência a empurrar o solo para cima.

Propagação: A melhor forma de propagar o melindre (outro dos nomes pelos quais é conhecido o Asparagus setaceus), é por divisão. Use uma faca afiada para dividir a planta e aproveite para podar um pouco as raízes. Coloque as "novas" plantas que obteve com a divisão em vasos mais pequenos e trate-as normalmente. Esta operação tem melhores resultados se for efetuada na primavera.

Poda: Corte as folhas mais velhas, ou que fiquem amarelas, sempre que necessário. Corte também rente ao solo, os caules mais antigos e com pior aspecto. A poda regular desta planta faz com que fique mais bonita e vigorosa.

Plantas de interior - Enumeratio plantarum
Enumeratio Plantarum
Como não podia deixar de ser, a parte final do meu artigo irá focar um pouco a história e a taxonomia do Asparagus setaceus. A primeira referência a esta espécie, aparece na obra Enumeratio Plantarum Omnium Hucusque Cognitarum (Vol.5), um dos muitos livros publicados pelo botânico alemão, Karl Sigismund Kunth, e que pode ser obtido gratuitamente neste link. O nome científico utilizado por Kunth em 1850 foi Asparagopsis setacea.

A designação atual desta planta, Asparagus setaceus (Khunt) Jessop, deve-se ao botânico sul-africano, John Peter Jessop, que a publicou na revista cientifíca Bothalia, em 1966.

Existe atualmente alguma polémica relativamente à designação alternativa para esta espécie, Asparagus plumosus, publicada pelo botânico John Gilbert Baker, em 1875. Embora durante muito tempo se pensasse que os nomes se referiam à mesma espécie, atualmente considera-se que afinal são duas espécies distintas. O Asparagus setaceus verdadeiro (focado neste artigo), tem os seus filocládios num único plano, enquanto que os filocládios do Asparagus plumosus apontam em várias direções (veja neste link, o artigo Review of the current taxonomic status and authorship for Asparagus weeds in Australia).