Plantas de interior únicas - As bromeliáceas ou bromélias

Plantas de interior - Guzmania Torch
A minha Guzmania 'Torch', uma aquisição recente
Quando me ofereceram a minha primeira bromélia, uma Vriesea, confesso que pensei desde logo que esta planta de interior com aspecto tão frágil não iria durar muito. Enganei-me. Já a tenho há quase cinco anos e continua tão bonita como quando a recebi. Já de mim próprio, não posso dizer o mesmo. Afinal já passaram cinco anos, e se na minha bromélia isso não se nota, em mim traduziu-se numa (ligeiríssima) perda de cabelo e em alguns (poucos) quilitos a mais. Mas enfim, tristezas (e inverdades) à parte, falemos então um pouco desta magnífica família de plantas, as bromeliáceas ou bromélias.

Existem mais de 3.000 espécies de bromélias, quase todas de origem tropical. Uma das principais características desta imensa família de plantas, é a sua folhagem em forma de roseta. Em muitas espécies a sobreposição das folhas forma uma espécie de reservatório ou tanque natural, onde a água da chuva e do orvalho se acumula, permitindo às bromélias a sua sobrevivência durante os períodos mais secos. No conjunto das várias espécies, as folhas das bromélias apresentam uma variedade imensa de padrões e de cores. Para além das folhas, a família das bromeliáceas é igualmente recordista na variedade de flores que produz. Existem flores para todos os gostos e feitios.

Plantas de interior - Tillandsia cyanea
A flor violeta e a bráctea magenta da Tillandsia cyanea
© Edu / CC BY-NC-ND 2.0

A maioria das bromélias que utilizamos como plantas de interior, são epífitas no seu habitat natural, ou seja, crescem sobre árvores e outras plantas. Nestas bromélias, as raízes não servem para absorver nutrientes mas sim para a planta se agarrar à árvore ou tronco sobre o qual cresceu.

Também existem bromélias terrestres, nas quais as raízes absorvem água e nutrientes do solo, conforme acontece noutras famílias de plantas. A bromélia terrestre mais conhecida, e a única que produz um fruto comestível produzido em massa, é a Ananas comosus ou seja, o ananás ou abacaxi comum. A Ananas comosus foi também a primeira bromélia a ser introduzida na Europa. O seu fruto rapidamente se tornou famoso como comida exótica e a sua popularidade foi tão grande, que algumas obras de arte europeias, pinturas e esculturas, incorporaram imagens de ananases/abacaxis.

Plantas de interior - Charles Pineapple
Quadro de Hendrik Danckerts de 1675, mostrando o Rei Charles II de Inglaterra recebendo o primeiro ananás/abacaxi cultivado em Inglaterra pelo seu jardineiro real, John Rose.
A variedade na família das bromélias é realmente enorme e no que diz respeito ao seu tamanho, não é diferente. A bromélia mais pequena é a Tillandsia usneoides (Barba-de-velho ou musgo-espanhol) e a maior é a Puya raimondii ou Titanca. A Titanca pode atingir os 12 metros de altura quando produz a sua inflorescência.

Plantas de interior - Puya raimondii
Puya raimondii no Peru - Fonte:Wikipedia
Ainda antes de falar um pouco sobre a forma ideal de cuidar da sua bromélia, permitam-me que partilhe com vocês mais uma curiosidade acerca destas magníficas plantas. Os reservatórios de água das bromélias servem de refúgio a muitas espécies de anfíbios, insetos, crustáceos e até mesmo a outras plantas. Algumas espécies vivem o seu ciclo de vida completo dentro das bromélias. Alguns criadores de rãs e sapos aproveitam este conhecimento para construírem belos viveiros, os quais englobam muitas vezes várias espécies de bromélias. A este respeito, vejam este interessante vídeo que descobri no Youtube:


Bonito viveiro, não é?

As espécies de bromélias mais usadas como plantas de interior são as dos géneros Guzmania, Aechmea, Neoregelia e Vriesea. É sempre útil tentarem descobrir qual a espécie exacta da vossa bromélia, uma vez que poderá existir alguma particularidade no seu cultivo que seja essencial para cuidarem bem da mesma. 

No entanto, as bromélias são plantas muito resistentes e que facilmente se adaptam às condições existentes nas nossas casas. Em princípio, se seguirem os conselhos que se seguem, não há motivo para que não desfrutem de muitas horas de prazer na companhia das vossas bromélias. Não se esqueçam no entanto que estas plantas, pese embora possam ter as suas flores e brácteas bonitas durante muitos meses, só florescem uma única vez, após o que a planta morre. Felizmente, todas as bromélias produzem filhotes antes de morrer completamente, pelo que poderá continuamente ter novas bromélias em sua casa!

Luz: A maioria das bromélias que adquirimos para ter como plantas de interior, preferem luz forte mas sem sol direto. O melhor será fazer com que a sua bromélia apanhe sol filtrado por uma cortina, durante algumas horas por dia. Se a sua bromélia estiver a receber demasiada luz, provavelmente as folhas irão ficar com um tom amarelado. Se estiver a receber pouca luz, as folhas ficarão verde-escuras e com um aspecto mais alongado. Nos dias mais curtos de inverno, com poucas horas de luz, é natural que a sua bromélia entre num período de repouso, retomando o crescimento na primavera.

Temperatura: As bromélias gostam de temperaturas entre 13 - 27ºC.

(H)umidade: As bromélias gostam de muita (h)umidade. Sempre que a temperatura na sua casa esteja acima dos 20ºC, pulverize diariamente a folhagem da sua bromélia com água. Ter as suas bromélias junto de outras plantas ou sobre um tabuleiro com seixos (h)úmidos são também formas de aumentar a (h)umidade do ar.

Plantas de interior - Vriesea
A minha Vriesea no início da floração, com uma flor do meu antúrio por trás
Rega: A não ser em locais que tenham pouca luz ou sejam muito frios, deverá manter o reservatório central da roseta de folhas com água, trocando a mesma todas as semanas. Regue também o solo com regularidade, mais ou menos uma vez por semana durante o período de crescimento da sua bromélia. Lembre-se que as bromélias resistem bem a períodos de seca, pelo que mais vale esquecer-se de regar do que regar em demasia. Se o solo estiver sempre encharcado, tal como acontece com a maioria das plantas, a sua bromélia também não sobreviverá.

Adubação: Pode colocar um pouco de adubo liquido na água que fica armazenada no centro da roseta de folhas, mas uma vez por mês é suficiente. Assim como em relação à água, mais vale adubo a menos do que a mais.

Solo: Como as bromélias usadas como plantas de interior são na sua maioria epífitas, elas podem ser usadas para fazer arranjos muito bonitos e invulgares. As bromélias podem ser colocadas em troncos com musgo ou sobre rochas, uma vez que podem sobreviver sem terra e absorver água e nutrientes apenas através da folhagem. Este método exige no entanto muito mais tempo e dedicação. Uma forma mais simples será ter as suas bromélias em vasos que não precisam de ser muito grandes e com um solo constituído por 50% de terra comercial normal e 50% de turfa. Não se esqueça de que um bom escoamento é essencial pelo que deve colocar argila expandida ou alguns cacos de barro no fundo do vaso.

Propagação: As flores das bromélias surgem sobre as brácteas e normalmente não duram muito tempo, mas felizmente as bonitas brácteas podem durar até muitos meses. Depois da bráctea morrer, a planta principal poderá manter a folhagem ainda durante muito tempo, sendo que neste período normalmente aparecem vários filhotes ou rebentos à volta da planta principal. Depois de os mesmos crescerem um pouco, quando já tiverem adquirido o tanque característico no centro da roseta de folhas, os mesmos podem ser separados da planta-mãe e plantados individualmente. Nalgumas espécies, como por exemplo a minha Vriesea, os filhotes não surgem ao lado da planta-mãe, mas um único filhote emerge do centro da roseta. Assim, enquanto as folhas exteriores da bromélia vão morrendo, novas folhas vão nascendo do interior da roseta, criando a ilusão de que se trata de uma só planta. Quem desconheça este pormenor, diria que a minha Vriesea já deu flor várias vezes, o que não é verdade. O que acontece é que a Vriesea que tenho hoje, é provavelmente a bisneta ou trineta da Vriesea que adquiri há cinco anos atrás.