Anthurium andraeanum - Plantas de interior que não gostam de sol

Plantas de interior - Anthurium andraeanum
Anthurium andraeanum 'Red Love'
Quando decido escrever sobre uma das minhas plantas de interior, o momento poderá não coincidir com a época em que elas estão mais bonitas. Hoje, por exemplo, irei escrever sobre o meu Anthurium andraeanum 'Red Love'. Não o faço por ele estar no auge da sua beleza, longe disso, mas sim porque apesar de ser uma planta que já tenho há muitos anos, a sua capacidade para estar continuamente cheia de folhas novas e com flores quase todo o ano continua a me impressionar.

O mais engraçado é que há muitos anos atrás, quando li os meus primeiros livros sobre plantas de interior (das décadas de 70 e 80), muitos deles diziam que esta espécie originária da Colômbia e do Equador era de tal maneira sensível, que só a aconselhavam às pessoas que tivessem uma estufa! Conforme referi no meu artigo As 10 plantas de interior mais fáceis de cuidar, nada podia estar mais longe da verdade.

E porquê? Principalmente porque desde a descoberta da espécie original na Colômbia em 1876, já decorreram décadas de hibridização, e alguns dos híbridos existentes hoje em dia, como o meu 'Red Love', são muito resistentes e perfeitamente capazes de suportar o ambiente normalmente mais seco dos nossos lares.

Plantas de interior - Anthurium andraeanum
Inflorescência em espiga, típica dos antúrios, com a espata vermelha e a espádice amarela
No seu habitat natural são plantas epífitas, ou seja, crescem sobre outras plantas, principalmente árvores. Embora os antúrios ou plantas-flamingo que agora temos nas nossas casas, estejam perfeitamente adaptados a viver em vasos, ainda possuem um sistema radicular curto como os seus parentes epífitos, pelo que os vasos não precisam de ser muito grandes. 

Mas vamos então ver qual a melhor forma de cuidar do seu Anthurium andraeanum:

Luz: Os antúrios não gostam de sol mas preferem um local com boa luminosidade. Se estas plantas de interior apanharem sol, deverão começar a surgir manchas ou pontas queimadas nas folhas, que acabam por ficar amarelas e murchar. Não esqueçam portanto: muita luz, mas indireta ou difusa. Se colocar o seu antúrio num local demasiado escuro, as folhas acabam por não se desenvolverem tão bem e a sua planta dará muito menos flores. Somente no inverno, quando o sol está mais fraco, poderá colocar o seu antúrio numa janela onde receba algumas horas de sol durante a manhã.

Temperatura: Evite ter esta planta em locais que possam ficar muito frios no inverno. Os antúrios gostam de temperaturas pelo menos acima de 15ºC.

(H)umidade: Para que esta planta de interior fique mesmo bonita, ela precisa de muita (h)umidade. Os antúrios não gostam de ar seco, pelo que deve afastá-los de correntes de ar e de fontes de calor muito intensas, como radiadores ou aparelhos de TV. Se o antúrio estiver num local da sua casa em que o ar é muito seco, as folhas ganham pontas queimadas e a planta deixa de produzir flores. Mas é fácil fazer com que isso não aconteça. Pulverize o seu antúrio com água frequentemente, pelo menos duas vezes por dia se o tempo estiver muito quente. Depois de pulverizar ambas as faces das folhas, limpe a face superior das mesmas com um pano suave e (h)úmido.

Anthurium andraeanum - Ilustração de 1877
Rega: Regue o seu antúrio com regularidade e abundância desde a primavera ao outono. No inverno regue menos. Tente fazer com que a terra esteja sempre ligeiramente (h)úmida. E atenção pois é mesmo ligeiramente. Se regar de forma a ter a terra sempre ensopada, as raízes apodrecerão e a sua planta irá morrer. Depois de regar, certifique-se de que deita fora o excesso de água que fica no prato de recolha de água. Os antúrios precisam de um solo muito leve, que deixe escoar bem a água, como já vamos ver a seguir.

Solo e reenvasamento: Estas plantas preferem um solo de textura grosseira, que deixe drenar muito bem a água. Assim, encha o vaso do seu antúrio até meio, com argila expandida, cascalho ou cacos de barro. Por cima coloque uma mistura de terra comercial, turfa e areia grossa em proporções iguais. Conforme já referi, os antúrios têm raízes curtas pelo que os vasos não precisam ser muito grandes (15 cm de diâmetro). A cada ano que passa, o seu antúrio irá produzir raízes a um nível um pouco mais alto do que o limite do vaso. Cubra essas novas raízes com um pouco de turfa até as mesmas enraizarem. Dessa forma, quando trocar a terra na primavera, corte um pouco da parte inferior das raízes, e o seu antúrio voltará a ficar ao mesmo nível do limite do vaso.

Adubação: Pode adubar uma vez por semana, com um adubo líquido comum. No inverno não é preciso adubar.

Propagação: Os antúrios podem ser propagados cortando um pedaço do caule onde haja raízes, e plantando de seguida. Também se pode simplesmente dividir os vários rebentos que surgem ao nível do solo, junto à planta principal.

Agora que já sabem como cuidar desta magnífica planta de interior, vou explicar-vos porque motivo a espécie se chama andraeanum ou andreanum. É muito simples. Trata-se de uma homenagem ao paisagista francês Édouard-François André, que a descobriu na Colômbia em 1876.
Plantas de interior - Édouard-Francois André
Édouard-François André (1840-1911) - Gravura de 1889, de Émile Bayard
A vida de Édouard-François André foi a todos os títulos notável, pelo que vale a pena ir até à Wikipedia e ler um pouco sobre a mesma. 

Em 1877, a espécie Anthurium andraeanum apareceu publicada pela primeira vez. Foi na L'Illustration horticole; journal international populaire de l'horticulture dans toutes ses branches - Volume 24. Este livro pode ser obtido gratuitamente em PDF neste link, e garanto que vale mesmo a pena. As ilustrações do séc. XIX das diversas plantas são simplesmente magníficas.