Dracaena fragrans - Plantas de interior taxionomicamente complexas

Dracaena fragrans (Grupo Deremensis) 'Janet Craig'
Dracaena fragrans (Grupo Deremensis) 'Janet Craig'
Descobri recentemente que fazer de detetive na web, à procura dos primórdios de algumas das espécies que hoje consideramos plantas de interior, me dá um particular prazer. Tendo em conta que no último artigo vos falei de uma dracena (Dracaena marginata), decidi continuar por essa via e dedicar este artigo que agora inicio, a outra dracena. Falo-vos nomeadamente da Dracaena fragrans, também conhecida por pau d'água ou coqueiro-de-vénus. 

Após aturada pesquisa, consegui estabelecer com algum grau de certeza, que o primeiro livro onde esta planta é mencionada foi escrito por Jan Commelin (1629-1692), botânico neerlandês e um dos fundadores do Hortus Botanicus em Amsterdão, um dos jardins botânicos mais antigos do mundo.

Jan Commellin - Plantas de interior
Jan Commellin - Fonte: Wikipedia
Jan Commelin iniciou o livro Horti Medici Amstelodamensis Rariorum, o qual foi concluido pelo seu sobrinho Caspar Commelin, e publicado em 1697. O mesmo dedicava-se principalmente a plantas das Índias Orientais e Ocidentais.

É neste livro, magnificamente ilustrado por Jan Moninckx e por sua filha Maria Moninckx, que podemos ver a ilustração da espécie então designada Aloe Africana Arborescens Florbus Albicantibus Fragrantissimis, e que hoje se designa por Dracaena Fragrans - (Linnaeus) Ker Gawl.

Aloe Africana - Plantas de interior
Aloe Africana Arborescens Florbus Albicantibus Fragrantissimis
Ainda assim, a designação atual de Dracaena fragrans não é seguida uniformemente por todas as fontes, face à grande quantidade de sinónimos e variedades desta planta existentes hoje em dia.

Muitos consideram a existência de uma espécie distinta, denominada Dracaena deremensis, enquanto que outros consideram que se trata apenas de uma divisão da espécie fragrans.

Ao que parece, o artigo definitivo sobre este tema da classificação das dracenas, foi publicado em 1992, no Edinburgh Journal of Botany, com o título Wild and cultivated Dracaena fragrans. Uma boa forma de nos guiarmos no meio da classificação taxionómica será considerar a seguinte divisão:

  • Dracaena fragrans 'Massangeana' (a variedade mais comum)
  • Dracaena fragrans - Grupo 'Compacta'
  • Dracaena fragrans - Grupo 'Deremensis'

Somente depois de toda esta pesquisa, pude finalmente concluir, de uma forma taxionomicamente correta, que sou neste momento possuidor de uma Dracaena fragrans 'Massangeana' e de duas Dracaena fragrans (Grupo Deremensis) 'Janet Craig'.

Dracaena fragrans "Massangeana"
Dracaena fragrans "Massangeana" - Fonte: Wikipedia
As Dracaena fragrans são plantas de interior originárias da África Oriental, Tanzânia e Zâmbia. O nome fragrans está relacionado com as flores desta planta, as quais têm um odor forte e adocicado. Pelo que pude ler em diversos fóruns sobre estas dracenas, as mesmas não dão flor em interior antes de alguns (bastantes) anos. Nos casos que li, as dracenas que floriram, tinham todas mais de 10 anos.

A forma de cuidar das Dracaena fragrans é muito similar à das Dracaena marginata.

Gostam de calor e preferem muita luz, mas filtrada. Alguns dos problemas mais comuns com estas plantas estão relacionados com a luz. Se as folhas têm manchas escuras ou perdem a cor, provavelmente a sua dracena está a receber luz a mais. Se as folhas da Dracaena fragrans 'Massangeana' ficarem uniformemente verdes e perderem a risca amarela central, então a sua planta precisa de mais luz.

Esta planta de interior também fez parte do estudo da NASA sobre as plantas que melhor filtram o ar, e que pode ver com mais pormenor no meu artigo As 10 plantas de interior mais eficazes na limpeza do ar. A Dracena fragrans é particularmente eficaz a filtrar benzeno e formaldeídos.

A forma de regar também é idêntica à da dracena-de-madagascar. Atenção às pontas das folhas. Se as mesmas ficarem queimadas, não só deve cortá-las, como estar atento à sua causa. Provavelmente está a regar pouco a sua dracena, que embora resista bem a períodos de seca, reage desta forma para expressar o seu desagrado. As manchas e pontas queimadas podem também ser sinónimo de químicos na água. Assim, sempre que puder, regue-as com água que tenha ficado a repousar de um dia para outro.

Para todos os outros itens (adubação, solo, etc.), consulte o meu artigo sobre a Dracaena marginata.