Begónia tigre - Plantas de interior com famílias numerosas

Plantas de interior - Rerum medicarum Novae Hispaniae thesaurus
Rerum medicarum Novae Hispaniae thesaurus
Tenho a certeza que todos vocês, assim que viram pela pela primeira vez a gravura acima reproduzida, pensaram de imediato, "Olha, ao que parece o Alex encontrou um dos meus livros favoritos sobre plantas de interior, o Rerum medicarum Novae Hispaniae thesaurus". Certo?

Sim, eu sei que vocês não são uns leitores quaisquer, daí não ter a mínima dúvida que foi esse o vosso pensamento... E perguntam vocês, mas a que propósito é que ele se lembrou de falar deste livro, tão presente no imaginário de todos nós e do qual já tínhamos tanta saudade? Pois bem, é neste livro publicado por Francisco Hernández de Toledo, que podemos encontrar a primeira descrição de uma begónia!

Embora o autor do livro, depois de fumar algumas outras espécies, tenha preferido denominar a planta com o sugestivo nome nauatle, totoncaxoxo coyollin (sem dúvida mais psicadélico), esta planta veio mais tarde a ser identificada como uma Begonia gracilis. Desde a publicação do livro em 1651 já decorreu muito tempo, e entretanto parece que já se encontram identificadas mais de 1500 espécies de begónias e mais umas quantas centenas de híbridos.

Plantas de interior - Begonia gracilis
Begonia gracilis - Ilustração de Robert Kaye Greville, 1830

Depois desta introdução, porventura absolutamente desnecessária, passemos então à planta de interior de que vos quero falar neste artigo, a Begonia bowerae var nigromarga, um híbrido da Begonia bowerae, descoberta pela primeira vez no México, em 1948.

Plantas de interior - Begonia bowerae var nigromarga
Begonia bowerae var nigromarga ou begónia tigre
Esta é uma begónia com um aspecto muito rétro, e a prova disso mesmo é que quase todas as pessoas com quem falo me dizem uma frase como, "a minha avó tinha uma".

Já a minha avó, que eu me lembre, não tinha nenhuma, mas é mesmo uma planta que está no meu imaginário. É-me fácil imaginar esta planta de interior nos lares portugueses de há 40 anos atrás, no seu vaso de porcelana florida, por cima de uma televisão a preto e branco, devidamente protegida da (h)umidade pelo tradicional napperon.

Tive a felicidade de me oferecerem uma destas Begonia bowerae há pouco tempo, e felizmente já me pude aperceber que é uma planta extremamente fácil de cuidar. Como todas as outras begónias que possuo, tentei dar-lhe um solo "leve", com mais turfa do que terra e uma boa quantidade de argila expandida no fundo do vaso. Está num local onde recebe boa luz, mas sem sol. Geralmente deixo a terra secar um pouco antes de regar de novo. Pese embora as begónias gostem de (h)umidade, nunca me preocupei em colocar o vaso sobre seixos (h)úmidos, ou outra coisa parecida. Estar rodeada por outras plantas, parece ser o suficiente. Desde sempre que evito pulverizar com água as folhas das begónias, pois demasiadas fontes de informação afirmam que isso pode causar problemas com fungos. Desconheço no entanto se tal será mesmo assim, mas, no que diz respeito às minhas plantas, prefiro jogar sempre pelo seguro.