Jacinto (Hyacinthus orientalis) - Plantas mitológicas

Plantas de interior - A Morte de Jacinto
'A Morte de Jacinto', de Jean Broc.
Jacinto era um jovem espartano, belo e atlético, adorado e cortejado simultâneamente por Apolo, Deus do Sol e da Verdade, e por Zéfiro, Deus do Vento do Oeste. Jacinto preferia no entanto a companhia de Apolo à de Zéfiro, o que levou este a enlouquecer de ciúmes. Certo dia, quando Jacinto praticava lançamento de disco com Apolo, Zéfiro jogou uma rajada de vento sobre o disco que Jacinto tentava apanhar. O disco golpeou-o na cabeça, provocando-lhe a morte. Apolo não conseguiu reanimá-lo mas evitou que Hades, deus do submundo, o levasse consigo. Para tal, pegou no sangue derramado de Jacinto, e transformou-o numa flor. Essa flor ficaria para todo o sempre com o nome do jovem amado por Apolo e seria prova eterna da sua saudade.

Plantas de interior - Jacintos
Os meus jacintos em plena floração
Tendo em conta o início deste artigo, poderão talvez pensar que a minha intenção é discutir a lei do casamento gay, aprovada em janeiro último pelo parlamento português (ainda não definitivamente). Mas não é. De fato, a minha intenção é somente falar-vos um pouco da espécie Hyacinthus orientalis, da qual me foram oferecidos três bolbos (ou bulbos) há cerca de um mês. 

Confesso que a minha experiência com este tipo de plantas é praticamente nula. Sempre fui adepto de plantas de interior perenes, as quais podemos apreciar o ano todo somente pela beleza da sua folhagem, quer dêem flor ou não. A ideia de armazenar um bolbo durante meses a fio para depois apreciar a planta durante apenas duas ou três semanas, sempre me pareceu pouco atraente. 

A minha opinião mudou um pouco desde que me ofereceram três bolbos de Jacinto. Não só a flor é efetivamente muito bonita, como esta planta empresta igualmente o seu perfume forte à divisão da casa onde se encontra (para algumas pessoas o perfume é forte demais). Também me obrigou a muita pesquisa, uma vez que as flores já estão a murchar e eu não fazia a mínima ideia do que tinha de fazer a seguir. 

Vou pois tentar organizar a informação que consegui recolhar de diversas fontes, e que espero consiga orientar-vos (e a mim também) na melhor forma de cuidar desta bela planta de interior e exterior. Vou começar pela fase em que a minha planta se encontra (com as flores a murcharem) e acabar na fase em que me foi oferecida (já com uma pequenas folhas a surgirem do bolbo).

1. Cortem os caules das flores, depois destas murcharem:

Plantas de interior - Jacinto

2. Continuem a regar normalmente (1 vez por semana) e esperem que as folhas murchem e fiquem amarelas. Este passo é muito importante pois as folhas são importantes para os bolbos irem armazenando a energia para a floração do ano seguinte.

3. Depois de murcharem, cortem as folhas cerca de 4 cm acima do bolbo. Não retirem os bolbos da terra (se estiverem plantados) ou do suporte onde se encontram, antes das folhas murcharem.

4. Coloquem os bolbos dos jacintos sobre uma folha de jornal, num local seco, durante três ou quatro dias até os mesmos secarem.

5. Limpem a terra e armazenem os bolbos em local fresco e seco, até serem de novo plantados, no máximo, até ao final do outono seguinte (os bolbos precisam de um período de dormência, durante o inverno, para poderem florir).

6. Quando chegar a época para os plantar de novo, enterrem os bolbos no solo, a uma profundidade que tenha o dobro do seu tamanho, com o pico para cima e a base para baixo. Se tiverem possibilidade, no fundo do buraco, coloquem um pouco de adubo orgânico. Separem os bolbos uns dos outros à distância de um palmo. Cubram com terra e reguem uma única vez.

7. Não façam nada durante o inverno. Quando surgirem as primeiras folhas, devem manter o solo fresco e os jacintos sob luz indireta, afastados do sol. A partir daqui reguem uma vez por semana, até acabar o período de floração e voltarmos ao ponto 1.

Os jacintos que me ofereceram, e que podem ver na primeira foto deste artigo, foram "forçados" a florir em Janeiro, o que é possível através de uma técnica mais complexa, que explicarei futuramente. Para já, parece-me que terei de superar duas barreiras importantes... 

Os bolbos terão de resistir durante a primavera e verão sem se degradarem, o que no centro e sul de Portugal não deve ser muito fácil (e em muitas zonas do Brasil também não). Vou tentar colocá-los na garagem, numa caixa relativamente isolada a ver o que dá. Caso sobrevivam, o próximo desafio será fazê-los florir, pois ao que parece os bolbos vão perdendo a força de ano para ano, e as flores vão se tornando cada vez mais parecidas com as suas antepassadas "selvagens". 

Como eu costumo dizer, isto das plantas bulbosas, embora pareça difícil, não é mesmo nada fácil...