Plantas de interior populares - Epipremnun aureum ou Jibóia

Plantas de Interior: Phtos aurea


Esta magnífica ilustração de 1880, foi a apresentação oficial da Epipremnum aureum, ao mundo científico. Mais conhecida por jibóia ou hera-do-diabo, é atualmente uma das plantas de interior mais comuns, principalmente devido à sua robustez e fácil adaptação a diversos ambientes (veja a parte final do artigo para saber os cuidados a ter com esta espécie).

O primeiro nome atribuído à Jibóia foi Pothos Aurea, tal como aparece na publicação L'Illustracion Horticole de 1880, a qual podem consultar gratuitamente aqui. A inclusão no género Photos terminou em 1908, quando o botânico Adolf Engler incluiu (erradamente), a hera-do-diabo no género Scindapsus. As flores desta planta só foram observadas pela primeira vez na década de 60, o que veio facilitar a sua correta classificação. O nome científico atual, Epipremnum aureum, surgiu finalmente em 1964, publicado pelo botânico australiano George Bunting.

Plantas de Interior: Epipremnun aureum

Epipremnum aureum (Linden & André) G.S. Bunting  
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O botânico Peter Boyce, atualmente a trabalhar na Malásia (local onde a foto acima foi tirada), foi o primeiro a determinar que as jibóias são nativas de Moorea, do arquipélago das ilhas de Sociedade, cuja maior ilha é o Taiti. No entanto, esta planta espalhou-se rapidamente, e é hoje comum em várias ilhas da Polinésia Francesa, Malásia, Indonésia, Havai e mesmo no sul dos Estados Unidos, na Florida.

Dentro de casa, as plantas Epipremnum aureum, não chegam a ultrapassar os 2 metros, mas na natureza, podem atingir mais de 20 metros de altura. A jibóia é uma epífita, que se entrelaça nos troncos e galhos das árvores, agarrando-se aos mesmos com as suas raízes aéreas. As folhas também mudam de forma consoante a idade e o tamanho da planta. Enquanto jovem, as folhas mantêm o formato cordiforme, mas nos espécimes adultos que crescem no exterior, as folhas podem alcançar uma largura de quase 1 metro, altura em que ganham um recortado similar ao observado nas folhas da costela-de-Adão (Monstera deliciosa).


Epipremnum aureum "Marble Queen"
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Rega: Apesar de a grande maioria dos sites e livros indicar que se deve deixar secar a parte superior do solo entre regas, não aconselho que o façam. A jibóia gosta de água e melhor do que deixar o solo secar demasiado, será providenciar à sua planta um solo que tenha uma boa capacidade de drenagem. Regue a sua planta várias vezes por semana no tempo quente e diminua um pouco (até uma, duas vezes por semana), no Inverno. Não se esqueça de uma regra que é válida para todas as espécies: Nunca deixe a terra ficar encharcada!

Luz: A jibóia gosta de locais muito iluminados, mas sem luz do sol direta. Se colocar a planta em locais com pouca luz, as folhas ficam quase totalmente verdes e o crescimento da planta torna-se mais lento.

Temperatura: A jibóia é uma planta tropical, pelo que gosta de calor. Se possível, faça com que a sua planta nunca seja exposta a uma temperatura inferior a 12º C.

Adubação: Use um adubo líquido fraco, semanalmente, no período de crescimento da planta, normalmente da Primavera ao Outono.

Solo e reenvasamento: Use uma mistura de 1/3 de solo comercial, 1/3 de turfa e 1/3 de areia. Não se esqueça de colocar uma boa quantidade de argila expandida ou cacos de barro no fundo do vaso. Mude a terra de dois em dois anos até a planta atingir o tamanho máximo. A partir daí mude somente a parte superior do solo todos os anos.

Propagação: É muito fácil propagar a Epipremnum aureum. Basta colocar qualquer parte do caule que tenha raizes aéreas junto ao solo, para que a planta enraize rapidamente. Também pode cortar estacas das extremidades, com cerca de 10 cm de comprimento, as quais enraizarão rapidamente qando colocadas em água.

Poda: Corte as folhas mais velhas, ou que fiquem amarelas, sempre que necessário. Evite o crescimento excessivo cortando um pouco os caules das plantas com maiores dimensões todas as primaveras.

Para além de ser muito fácil de cuidar, a jibóia traz também um bónus adicional: Ela é uma das 10 plantas de interior mais eficazes na purificação do ar.

Veja também aqui um dos artigos mais antigos do meu blog sobre a jibóia.

Plantas de interior enganadoras - Asparagus setaceus

Plantas de interior - Asparagus setaceus
Parece que é... mas não é. O Asparagus setaceus (espargo-feto PT ou aspargo-samambaia BR), é uma planta de interior, que se fosse gente, teria com certeza muito sucesso numa carreira política. Ela engana muito bem, e é normalmente considerada como sendo um feto ou samambaia devido ao aspeto das suas "folhas". Até nisso esta planta engana, pois na realidade não tem folhas mas sim pequenos ramos de 0,5 cm, muito finos, que se designam por filocládios. São estes raminhos que assumem as funções fotossintéticas, proporcionando energia à planta.

O Asparagus setaceus é uma planta originária da África do Sul, muito resistente, que cresce em terrenos muito difíceis e rochosos. Os seus caules principais têm espinhos afiados que servem para dissuadir os animais de se aproximarem. Ao fim de um certo tempo de crescimento, o Asparagus setaceus comporta-se como uma trepadeira. Aliás, a lâmpada fluorescente que podem ver na foto inicial esteve em tempos completamente rodeada pelos caules espinhosos, mas no Verão passado decidi podar radicalmente a planta para que a mesma ficasse mais vigorosa e um pouco mais densa. O aspargo-samambaia, em muitos locais do globo, é considerado uma espécie invasora, pois sufoca a vegetação nativa, eliminando-a, e impedindo a regeneração natural de outras espécies.

Plantas de interior - Asparagus setaceus
Rega: Embora estas plantas de interior resistam muito bem a períodos de seca prolongada, convém que as mesmas sejam regadas com generosidade durante o seu período de crescimento (sem ensopar o solo!), desde a Primavera até ao Outono. Quando o tempo está quente, normalmente nunco deixo o solo secar completamente entre regas e prefiro mantê-lo sempre um pouco húmido. No Inverno basta regar uma vez por semana.

Luz: Tal como a grande maioria das plantas de interior, o Asparagus setaceus prefere luz forte, mas sem sol direto. Uma boa hipótese será ter a sua planta junto de uma janela que receba algumas horas de sol, mas filtrada através de uma cortina. Se o Asparagus setaceus receber demasiado sol, as "folhas" ficarão amarelas, o que também pode acontecer se for colocada num local demasiado escuro. Esta planta dá-se muito bem com luz artificial.

Temperatura: É praticamente uma questão irrelevante quando a planta é cultivada em interior.

Adubação: É difícil adubar demasiado esta planta, pois é uma "comilona" voraz. Eu costumo usar um pouco de adubo líquido, duas a três vezes por mês, durante o período de crescimento.

Solo e reenvasamento: Qualquer solo comercial de boa qualidade será o suficiente para manter o espargo-de-folha-miúda feliz. Mais uma vez não se esqueça de colocar uma boa quantidade de argila expandida ou cacos de barro no fundo do vaso. Mude a terra todas as primaveras e tente sempre manter o topo do solo um pouco abaixo do limite do vaso, pois as raízes desta planta têm tendência a empurrar o solo para cima.

Propagação: A melhor forma de propagar o melindre (outro dos nomes pelos quais é conhecido o Asparagus setaceus), é por divisão. Use uma faca afiada para dividir a planta e aproveite para podar um pouco as raízes. Coloque as "novas" plantas que obteve com a divisão em vasos mais pequenos e trate-as normalmente. Esta operação tem melhores resultados se for efetuada na Primavera.

Poda: Corte as folhas mais velhas, ou que fiquem amarelas, sempre que necessário. Corte também rente ao solo, os caules mais antigos e com pior aspecto. A poda regular desta planta faz com que fique mais bonita e vigorosa.

Plantas de interior - Enumeratio plantarum
Como não podia deixar de ser, a parte final do meu artigo irá focar um pouco a história e a taxonomia do Asparagus setaceus. A primeira referência a esta espécie, aparece na obra Enumeratio Plantarum Omnium Hucusque Cognitarum (Vol.5), um dos muitos livros publicados pelo botânico alemão, Karl Sigismund Kunth, e que pode ser obtido gratuitamente neste link. O nome científico utilizado por Kunth em 1850 foi Asparagopsis setacea.

A designação atual desta planta, Asparagus setaceus (Khunt) Jessop, deve-se ao botânico sul-africano, John Peter Jessop, que a publicou na revista cientifíca Bothalia, em 1966.

Existe atualmente alguma polémica relativamente à designação alternativa para esta espécie, Asparagus plumosus, publicada pelo botânico John Gilbert Baker, em 1875. Embora durante muito tempo se pensasse que os nomes se referiam à mesma espécie, atualmente considera-se que afinal são duas espécies distintas. O Asparagus setaceus verdadeiro (focado neste artigo), tem os seus filocládios num único plano, enquanto que os filocládios do Asparagus plumosus apontam em várias direções (veja neste link, o artigo Review of the current taxonomic status and authorship for Asparagus weeds in Australia).

Plantas de interior tetragonais - Crassula tetragona

Plantas de interior - Crassula tetragona

A Crassula tetragona é uma aquisição recente e uma planta de interior muito fácil de cuidar. Encontrei esta espécie no jardim de um amigo, que teve a amabilidade de me dar dois ou três rebentos, os quais já tinham inclusivamente um pouco de raíz. Pouco tempo depois de os colocar num vaso, foi possível observar que os rebentos desta planta suculenta retomaram o seu crescimento rapidamente.

A Crassula tetragona , cujo nome se deve à filotaxia das suas folhas (do grego, tetra + gonia = quatro + ângulos), é uma planta originária da África do Sul e foi descrita pela primeira vez em 1753 por Linnaeus, num livro marcante para a história da ciência, o Species Plantarum.

Rega: Estas plantas devem ser bem regadas, embora se possa deixar a terra secar completamente entre regas. Se a planta florir, o que acontece normalmente no Verão, a sua necessidade de água aumenta.

Crassula tetragona em flor

By André Karwath aka Aka [CC-BY-SA-2.5], from Wikimedia Commons

Durante os meses frios de Inverno, a rega deve ser escassa, o suficiente apenas para impedir as folhas de ficarem com um aspecto "enrugado".

Luz: A Crassula tetragona pode receber até 6 horas de sol directo diariamente embora também se dê bem em locais sem sol, desde que não tenham demasiada sombra.

Temperatura: É uma planta que aguenta temperaturas muito baixas e até mesmo geada. No entanto é preferível que esta crássula não seja exposta a temperaturas abaixo de 6ºC.

Adubação: Use um adubo líquido fraco durante a época de crescimento. Uma vez por mês será suficiente.

Solo e reenvasamento: Use um solo leve, com boa drenagem. Estas plantas de interior crescem lentamente e não será necessário mudar de vaso com muita frequência.

Doenças: É muito raro estas crássulas terem qualquer tipo de doença ou praga.

Propagação: A Crassula tetragona pode ser reproduzida por estaca de caule ou de folha. As folhas enterradas parcialmente no solo, rapidamente criarão raízes e darão origem a outra planta. Se plantar as estacas de caule verticalmente, elas continuarão a crescer dessa forma. Se as colocar horizontalmente no solo, as raízes surgirão ao longo de toda a estaca e formarão várias novas plantas.

Poda: Por forma a dar um aspecto mais arbustivo à sua planta, pode o topo dos caules, para que a planta rebente mais abaixo e fique mais densa e compacta. Se não o fizer, as Crassula tetragona têm tendência a produzir rebentos nas extremidades, o que faz com que possam ficar um pouco pesadas no topo e tombar.

Para além da Crassula tetragona, recebi igualmente estacas de outras duas espécies de crássulas, às quais dedicarei um novo artigo muito em breve.